14/06/2009 às 13:00
Uma escorregada feia que serviu de lição
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Há muitos anos tive que receber em minha casa um casal muito importante. Ele era amigo de personalidades do mundo politico americano e ela uma super figura da sociedade europeia.
Não é preciso dizer que a tensão estava no ar em todos os dias que antecederam o evento. Tudo foi, naquele momento, motivo de preocupação para mim. A escolha do cardápio, a arrumação e o serviço de mesa, o que servir de bebidas e etc.
Como eu era inexperiente, acreditei que promover uma viagem gastronômica pelo Brasil seria perfeito. Assim, mandei fazer um incrÃvel jantar baiano, com Batidinhas Tropicais de entrada, petiscos brasileirÃssimos e um delicioso Bobo de Camarão arrematado por doce de coco quente com sorvete de creme e café.
Na época eu achei que o cardápio estava perfeito, mas o que eu esqueci de lembrar foi a idade dos meus convidados e a disposição fÃsica para, depois de uma viagem e com o calor do verão brasileiro, encarar no jantar essas iguarias.
Conclusão, no dia a temperatura estava às sete horas da noite 29 graus e a senhora então com 78 anos acabou, como era esperado, passando muito mal logo na primeira garfada do Bobó.
Minha empregada que havia sido treinada em uma semana para servir um jantar à francesa, enlouqueceu porque não sabia o que fazer quando todo mundo levantou da mesa para atender a mulher que passava mal.Â
Foi uma confusão, a senhora indo correndo para o banheiro, o Hugo procurando uma escova de dente para dar para a convidada depois do mal estar, eu catatônica e a empregada tentando servir a comida mesmo diante de tudo isso.
Para encerrar, o jantar foi abortado, antes da sobremesa e o casal levado as pressas para o hospital. A recepção foi demais para a velha senhora, tanto que ela passou dois dias na cama.
Como agradecimento, gente gentil faz isso mesmo sem ter aproveitado, recebi um cartão com a seguinte frase: “Obrigada por nos receber, lindo arranjo de flores na mesaâ€.
Não é preciso dizer que levei anos para digerir minha falta de atenção para pequenos detalhes como:
Se a temperatura para servir determinado prato é adequada ou não para o momento.
Se a idade dos convidados e a disposição fÃsica vão fazê-los apreciar o que esta sendo oferecido.
Se quem vai fazer o serviço tem competência para administrar o que sai dos trilhos.
Se quem recebe tem noção de que de uma hora para a outra a história pode virar e faz parte da hospitalidade ter solução, na sua casa, para os imprevistos.
Licia Egger Moellwald
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